Bebês de dois meses ainda não compreendem a fala, mas eles leem as emoções das pessoas pela expressão facial e entendem a entonação das vozes.
Mães e pais modernos querem estar na mesma frequência que o bebê, de modo que haja unidade, comunidade, quando tudo é compreendido, mesmo que não seja dito. No entanto, esse mundo perfeito nem sempre é possível. A mãe nem sempre entende o que o bebê quer. E o bebê não entende você.
Isso é ruim?
Isso é normal, porque o bebê ainda não sabe falar e não entende a linguagem. Por isso, vocês não têm a possibilidade de se comunicar no sentido mais comum do termo. Mesmo assim, a comunicação entre vocês é possível. E acontece todos os dias!
Como?
Em primeiro lugar, por meio das expressões faciais. As pessoas recebem a maior parte das informações sobre o mundo por meio da visão. Os bebês também.
Os bebês começam a distinguir rostos bem cedo. A partir de duas semanas, eles sabem inconfundivelmente quem está ali: a mãe, o pai ou uma pessoa estranha. Os bebês também são capazes de imitar as expressões faciais dos adultos. Se você colocar a língua para fora ou abrir bem a boca, é bem possível que o bebê copie ou, pelo menos, tente copiar [1].
Nos anos 1970, o psicólogo norte-americano Edward Tronic realizou um experimento em que testou como os bebês reagem às expressões faciais dos pais. De início, as mães sorriam para a criança, e então mudaram para expressão para algo frio e distante. Os bebês sempre notaram a mudança. Eles ficaram confusos em primeiro lugar, e então tentaram chamar a atenção delas com gestos e sorrisos. Quando nada mais funcionava, eles começavam a chorar [2].
O que podemos aprender com esse estudo? Que a comunicação por meio do contato visual e das expressões faciais é importante. Sorria, faça caretas. Compartilhe a alegria, a surpresa, o interesse e o prazer.
Eu devo conversar com o bebê?
Sim! Claro, o bebê não vai entender o significado das palavras que você diz. Mas, além de ser muito receptivo, ele ou ela vai entender sua entonação. Se o tom da sua voz estiver ansioso, tenso, o bebê vai começar a se preocupar. Se sua voz estiver tranquila e relaxada, o bebê vai ficar calmo [3].
Sem perceber, a maioria dos pais começa a falar com o bebê em uma linguagem especial. Ao fazer isso, eles usam frases curtas, alongam sílabas e aumentam o tom de voz no fim da frase. Palavras comuns muitas vezes são substituídas por onomatopeias, por exemplo, um carrinho de brinquedo ser chamado do “vrum-vrum”, e um gato, de “miau”.
Esse jeito de falar é conhecido como “tatibitati” ou “baby talk” e ajuda os bebês e os adultos responsáveis por eles a se conectarem. Não é algo que se aprende, acontece naturalmente. Mas existe uma questão. A capacidade de falar com o seu bebê dessa forma costuma desaparecer quando você está estressada ou sob pressão. Por isso, você precisa fazer uma pausa para descansar e se recuperar [4].
E sobre o que falar?
Sobre tudo e qualquer coisa! Pergunte ao bebê como ele ou ela está. Conte o que você está fazendo. Diga o nome das coisas à sua volta. Faça comentários sobre os barulhos e as caretas que ele ou ela fizer. Isso fortalece a conexão emocional entre vocês e ajuda no desenvolvimento do cérebro do bebê [5].
Foto: shutterstock







