Graças às modernas tecnologias de reprodução assistida (ART), a infertilidade não é mais uma sentença, mas um problema que pode ter solução. Um dos principais métodos de ART é a fertilização in vitro (FIV). Infelizmente, ela ainda está cercada por muitos mitos.
FIV é o único método de tratamento para infertilidade
Os métodos para tratar a infertilidade dependem das causas subjacentes. Alguns casos podem ser tratados com medicamentos ou cirurgia. Se o tratamento não resolver o problema em um ano (ou seis meses para mulheres acima de 35 anos), a fertilização in vitro pode ser uma opção.
Com a FIV, é possível escolher o sexo do filho
Em muitos países, a seleção de embriões com base no sexo não é feita apenas por preferência, mas por razões médicas. Esse é o caso de doenças genéticas transmitidas pela linha masculina ou feminina. Se os futuros pais carregam uma mutação relacionada ao gênero e há um alto risco de herança, um embrião saudável pode ser selecionado antes da transferência por meio do teste genético pré-implantacional (PGT). Nesses casos, escolher o sexo pode permitir que os pais tenham uma criança saudável [1].
FIV sempre leva ao nascimento de gêmeos ou trigêmeos
O método em si não aumenta a probabilidade de ter múltiplos. O que aumenta a chance de uma gestante ter gêmeos ou múltiplos é a quantidade de embriões transplantados (geralmente um ou dois). Especialistas tendem a concordar que implantar um grande número de embriões apresenta riscos adicionais [2].
Pode haver troca de embriões, e você terá um filho que não é biologicamente seu
Em uma clínica profissional e certificada, os médicos operam de acordo com as melhores práticas para eliminar qualquer margem de erro. Após a fertilização, o óvulo é colocado em uma incubadora especial para se desenvolver por vários dias. Protocolos rigorosos são seguidos ao rotular cada copo de cultura, e embriões de diferentes pacientes nunca estão no mesmo lugar. Mais tarde, ao transferir um embrião, a equipe médica verifica tudo várias vezes.
FIV promove o desenvolvimento de câncer
Anteriormente, pensava-se que os medicamentos usados para estimular a ovulação para a realização da FIV poderiam aumentar o risco de certos tipos de câncer. No entanto, estudos não confirmaram essa relação, e acredita-se que a FIV não leva ao câncer de mama, endométrio, colo do útero nem ovário [3, 4, 5]. A situação muda se a mulher tiver uma doença pré-cancerosa ou uma predisposição genética a certos tipos de câncer, pois a estimulação hormonal pode aumentar os riscos. Portanto, antes de iniciar a FIV, a mulher deve passar por uma avaliação médica abrangente. O tratamento será projetado com base nos resultados.
FIV pode ser feita em qualquer idade
O sucesso da FIV depende em grande parte da idade da mãe; quanto mais jovem, maiores são suas chances de engravidar com seus próprios óvulos e ter um filho saudável. Mulheres mais velhas podem precisar considerar o uso de óvulos doados para aumentar a probabilidade de uma gravidez bem-sucedida [5].
Crianças nascidas como resultado da FIV têm sérios problemas de saúde e uma expectativa de vida curta
Crianças nascidas por FIV não são diferentes das outras. Elas podem ter uma vida longa e saudável e não têm mais probabilidade de enfrentar problemas de fertilidade. A inteligência e o desenvolvimento mental delas não são afetados pela forma como foram concebidas. Pesquisas mostraram que as crianças nascidas por FIV aprendem e se desenvolvem na mesma taxa daquelas que são fruto de uma gravidez típica [6, 7].






