Em hospitais e maternidades, gestantes correm o risco de serem tratadas quase como um elemento secundário, e não como a figura principal do parto. Esse tipo de situação ocorre no mundo todo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera esse tratamento cruel e desrespeitoso, uma violação dos direitos humanos e uma ameaça adicional à saúde da mãe e à vida do bebê [1].
O que é considerado violência obstétrica?
Esse é um conceito amplo, que pode chegar à violência de fato. Em alguns lugares, existem relatos de mulheres que foram agredidas fisicamente para “caírem em si”, deixadas sozinhas, forçadas a deitar em uma posição desconfortável, insultadas, constrangidas, ridicularizadas ou privadas de anestesia, entre outros casos. De acordo com a OMS, mulheres de baixa renda e baixa escolaridade, além de gestantes muito jovens, têm mais chances de enfrentar essa situação [2].
Existem outras formas de violência obstétrica mais comuns, em que a gestante é objetificada, o que resulta na ideia de que ela não tem o direito de decidir o que acontece com seu próprio corpo. Dependendo do país, entre 15% e 98% das mulheres sofrem algum tipo de violência obstetrícia. Médicos podem administrar remédios para estimular o parto sem consentimento ou estourar sua bolsa para acelerar o processo. Podem se recusar a aliviar a sua dor ou, na direção oposta, insistir na anestesia mesmo que você queira um parto mais natural. Eles podem fazer um corte no períneo (episiotomia) ou uma cesariana sem necessidade. Outras situações incluem separar mãe e bebê depois do parto ou fazer qualquer tipo de manipulação (até mesmo um exame) sem explicar o motivo nem detalhar o procedimento. Todos esses são exemplos de violência obstétrica [3]. E não podem ser normalizados.
Quais são os meus direitos durante o trabalho de parto?
Todos os seus direitos humanos continuam valendo durante o parto, incluindo o direito à dignidade e à integridade. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) explica o que isso significa para uma parturiente:
Escolher a posição durante o parto (em pé, deitada, de quatro, na água etc.);
Escolher o local do parto (em casa ou no hospital);
Escolher os métodos de alívio para dor;
Consentir ou recusar a amamentação;
Direito de ser acompanhada por um parceiro ou outro acompanhante durante o parto;
Inadmissibilidade de quaisquer procedimentos sem explicação ou autorização prévia.
Ao mesmo tempo, o obstetra responsável pelo parto deve explicar tudo o que está acontecendo tanto para a gestante quanto para o acompanhante, para que eles possam tomar decisões baseadas em informações concretas em todos os estágios.
Como exigir que meus direitos sejam respeitados no parto?
O fato é que, durante o trabalho de parto, a gestante fica especialmente vulnerável. É por isso que a OMS recomenda ter alguém próximo e confiável presente durante esse processo. O papel dessa pessoa não se restringe a dar apoio moral ou ajudar fisicamente, mas também defender você e/ou intermediar sua comunicação com a equipe se for necessário. Ela deve ajudar você a expressar seus desejos, defender seus direitos e, apenas com sua presença física, ajudar a impedir atos de violência [4].
O pai do bebê deve ser o acompanhante do parto?
A OMS acredita que qualquer pessoa com quem a futura mãe tenha uma relação de confiança pode ser uma boa acompanhante. Isso inclui o pai do bebê, sua parceira, uma amiga, sua mãe ou outro familiar, ou uma doula [4].
Estudos mostram que gestantes que são auxiliadas por um acompanhante durante o parto têm menos chance de precisar de anestésicos, fórceps ou cesarianas. Os bebês têm melhores índices de Apgar. A probabilidade de depressão pós-parto também diminui [5].
Este artigo foi escrito em associação com a UNFPA, a agência de saúde sexual e reprodutiva da ONU.






