Você provavelmente já ouviu o termo “pré-eclâmpsia”. Afinal, a maior parte dos exames e das recomendações médicas na segunda metade da gravidez têm como objetivo prevenir ou reduzir os riscos dessa complicação. Vamos falar sobre isso.
O que é pré-eclâmpsia?
Pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez. Ela não ocorre se não houver uma gestação. Ela está associada à hipertensão (pressão alta) e proteína na urina depois da 20ª semana e pode causar danos aos órgãos internos (em especial o fígado e os rins). A pré-eclâmpsia ocorre em cerca de cinco em cada cem gestações [1].
Pré-eclâmpsia é a mesma coisa que hipertensão?
Não exatamente, ainda que pressão alta depois da 20ª semana seja um dos sinais mais óbvios. Mas se não houver proteína na urina nem sinal de danos aos órgãos, pode ser hipertensão gestacional, o que pode, às vezes, mas nem sempre, causar pré-eclâmpsia [2].
Se houver proteína na urina, mas minha pressão arterial estiver normal, é pré-eclâmpsia?
A proteinúria (proteína na urina) sem aumento na pressão sanguínea não é diagnosticada como pré-eclâmpsia. Na ausência de outros sintomas, um aumento no nível de proteína na urina pode indicar uma doença renal e não necessariamente está associado à pré-eclâmpsia [3].
Se eu já tiver hipertensão antes de engravidar, vou ter pré-eclâmpsia?
Hipertensão antes da gravidez é uma doença independente que não está associada à pré-eclâmpsia. Por isso, a pressão sanguínea precisa ser medida com regularidade para entender exatamente quando o aumento começou e estabelecer a distinção entre hipertensão crônica e o início da pré-eclâmpsia. Hipertensão crônica é considerada um fator de risco, mas não se pode dizer que é um estágio da pré-eclâmpsia [2].
Quais são outros fatores de risco da pré-eclâmpsia?
Os médicos ficam especialmente preocupados com o desenvolvimento de pré-eclâmpsia se houver algum destes fatores de risco: diabetes, obesidade ou doença renal crônica. Os riscos aumentam em gestações de gêmeos ou FIV [1].
Por que a pré-eclâmpsia é perigosa?
A pré-eclâmpsia afeta as artérias que levam sangue para a placenta. Como resultado, com pré-eclâmpsia, o bebê pode não receber nutrientes e oxigênio suficientes, o que pode causar um atraso no desenvolvimento, descolamento da placenta ou parto prematuro [2].
Em casos graves, pode ocorrer síndrome de HELLP – fragmentação das células sanguíneas, baixa contagem de plaquetas e doença hepática. E existe risco de vida tanto para a mãe quanto para o bebê [4].
Por isso, se gestante tem pelo menos um dos sintomas a seguir com vinte ou mais semanas, ela deve procurar seu médico imediatamente [2]:
Fortes dores cabeça;
Náusea e vômito;
Dor forte no hipocôndrio direito;
Visão borrada (visão dupla, visão borrada, fotofobia);
Intensa falta de ar.
Como a pré-eclâmpsia é tratada?
Existem medicamentos que podem desacelerar o desenvolvimento dos sintomas mais graves da pré-eclâmpsia. Eles são prescritos quando há risco ou quando já existe o diagnóstico de pré-eclâmpsia leve. Para hipertensão crônica, você deve tomar medicamentos para pressão alta. Mas em casos graves de pré-eclâmpsia, o parto continua sendo o único tratamento possível, independentemente do estágio da gestação [1].
É verdade que repouso absoluto e cortar o sal podem prevenir a pré-eclâmpsia?
Não. De acordo com a OMS, essas medidas não são eficazes. Mas tomar suplementos de cálcio pode ser uma medida preventiva benéfica.
Este artigo foi escrito em associação com a UNFPA, a agência de saúde sexual e reprodutiva da ONU.






