As barreiras físicas não são a única questão para pessoas com deficiência (PCD). Outra dificuldade é a grosseria das pessoas, incluindo médicos [1]. Neste guia, oferecemos algumas sugestões de como responder a comentários descuidados.
Em primeiro lugar, é importante reconhecer que você pode e deve reagir à grosseria de profissionais de saúde. Isso não se compara a ouvir comentários na rua ou lidar com perguntas ignorantes de estranhos. Com seus médicos, você está construindo um relacionamento de longo prazo, e é melhor definir os limites o quanto antes.
Se achar difícil responder a essa insensibilidade imediatamente, pense em algumas frases e ensaie. Por exemplo, “achei isso desagradável” ou “por favor, não fale comigo nesse tom”. Aqui estão alguns dos comentários mais comuns ditos por médicos e algumas respostas para ajudar você a se sentir mais confiante ao reagir.
“Quem deixou você engravidar?”
Mulheres com deficiência têm o mesmo direito à maternidade que qualquer outra. Essa é a posição oficial da OMS e da ONU [2, 3, 4] e está garantida na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência [5]. Você não precisa de permissão médica para ter relações sexuais e engravidar, embora seja aconselhável se preparar para a gravidez [6]. Mas mesmo que você não tenha feito isso, ninguém tem o direito de acusá-la de irresponsabilidade. Quase metade das gestações no mundo todo é planejada, e os médicos aceitam isso [7]. Então, seu caso não é uma exceção.
“Você não vai conseguir levar a gravidez adiante”
A maioria das mulheres com deficiência consegue levar a gestação até o fim e dá à luz bebês saudáveis [8]. Sim, pode ser uma gravidez de alto risco , já que elas têm maior probabilidade de complicações. Mas com o devido cuidado médico essas complicações podem ser reduzidas.
“A criança pode ser PCD”
Não existe essa certeza. Tudo depende do tipo de deficiência que você tem. Algumas são hereditárias; outras não. Algumas condições podem afetar o desenvolvimento pré-natal; outras não. Na verdade, mães com deficiência têm mais chance de terem bebês prematuros e com baixo peso ao nascer. Não tanto pela condição da mãe, mas pelas especificidades da gravidez, uma vez que PCD tendem a ter mais receio de procurar ajuda médica e acabam não recebendo os cuidados adequados [9, 10]. Todas as mulheres merecem um tratamento justo.
"Não temos tempo para lidar com você"
A gestação é um direito de toda mulher, incluindo aqui das pessoas com deficiência. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência [6] garante às pessoas com deficiência o direito a constituir família e decidir quantos filhos terá e quando, bem determina que Estados incluam em seus programas de saúde pública assistência na área de saúde sexual e reprodutiva às pessoas com deficiência.







